12 de novembro de 2008
O D E I O
Odeio quando lembro nos mínimos detalhes do que não vivi. Do que não senti, do que esqueci de esquecer, do que não resisti.Odeio quando a minha fragilidade fica escancarada, quando não consigo reagir como eu queria ou quando tudo que eu não queria era reagir e reajo feito louca, sem freio, sem razão.Odeio a emoção porque ela esfrega na minha cara que ela é dona de si mesma e vai aparecer e arrombar a minha porta na hora em que bem entender. Odeio quando meu ar de dona da verdade vai embora e me pego rindo sem mais nem porque. Ou com um porquê que não quero que apareça.Odeio que nem criança mimada que perdeu o pirulito, que não ganhou o brinquedo, que é obrigada a comer quiabo.Odeio quando meu olho brilha sem eu poder controlar. Odeio quando me vejo refletida nesses olhos que me dizem muita coisa sem nenhuma palavra sequer....
5 de novembro de 2008
DEVOLVE
Por favor,me devolve? Devolve a minha inspiração que você arrancou junto com meu vestido, amarelo, no início daquela noite em que éramos eu, você e a lua. Devolve meu pensamento que agora cisma em voltar pra aquelas horas em que nossos corpos formavam a mais bela escultura já vista.Devolve meu fôlego que você roubou com aqueles beijos quentes de quem toma emprestada a alma de outra pessoa. Devolve a monotonia dos meus dias que antes de você existia. Devolve a minha calmaria.Ou então esquece. Não me devolve. Não devolve nada. Vem então me fazer companhia nesse dia de chuva, vem logo. Vem me dar um pedacinho do céu. Aquele pedacinho em que não existem anjos de testemunha das nossas horas, ora aceleradas, ora vagarosas. Vem logo e desenha seu corpo no meu, vem porque seu cheiro já está codificado em mim. Vem pra minha cama que te espera quente, assim como eu anseio por todos os momentos de êxtase que eu sei que você vai me dar de presente, como se fossem bolhas de sabão.Vem logo. Tenho pressa.
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